Na vivência diária da profissão, nós, jornalistas, percebemos como nosso trabalho ainda é mal compreendido, principalmente por parte das fontes de informação, sejam elas oficiais ou não. A concessão de uma entrevista não dá ao entrevistado o direito de realizar promoção pessoal, institucional ou de qualquer outro aspecto na reportagem, mas a maioria das pessoas não entende esse fato. Muitos ainda acham que as entrevistas são pagas (a maioria não é), quando na verdade a colaboração em uma reportagem deveria ser vista como uma ação em benefício da sociedade, um auxílio na disseminação de informações de interesse público e do público. Obviamente, há também indivíduos que se tornam fonte de informação especializada, em geral, profissionais liberais ou executivos treinados por assessorias de comunicação para atender à imprensa. Nesses casos, a própria competência do profissional, em conjunto com o trabalho da assessoria, gera a requisição para participação em matérias jornalísticas e naturalmente fortalecem a imagem do entrevistado ou do grupo no qual está inserido perante a sociedade e respectivo mercado. O uso das informações cedidas pelos entrevistados aos jornalistas também é motivo de discordância entre as partes. Para o repórter, o mais importante em uma entrevista é colher opiniões da fonte especializada sobre o assunto em questão. Isso porque o repórter busca permanecer imparcial na reportagem (embora essa seja uma questão que divida opiniões no meio acadêmico). Informações técnicas podem ser obtidas em livros e na internet, a consulta a um especialista nesses casos serve para acelerar o processo ou esclarecer dúvidas sobre temas complexos. Logo, na visão do jornalista não é necessário colocar tudo na fala do entrevistado, em forma de declaração textual, entre aspas. Fica subentendido que a matéria contou com os conhecimentos do entrevistado para ser realizada. Para aqueles que têm interesse em se tornar fonte de informação e alcançar reconhecimento na imprensa pela excelência do trabalho que realiza, a orientação é procurar profissionais da área de comunicação (assessores de imprensa e relações públicas) que ofereçam treinamento apropriado sobre os veículos e profissionais da imprensa. É imprescindível também acompanhar a mídia em suas mais variadas vertentes, principalmente na área em se que pretende a inserção. Dessa forma, os resultados virão sem gafes e conflitos desnecessários por falta de conhecimento. Frank Neres, jornalista e coordenador editorial da KB!COM.